sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

FAROL ...LUA CHEIA E INSPIRAÇÃO

(Foto: Walnize Carvalho)

LUA CHEIA EM SÃO THOMÉ
(Waldir Carvalho)

    Findou-se a tarde em companhia do sol que caiu cansado nos braços da serra do Itaóca. A pálpebra da noite desce irresistivelmente sobre a nossa cabeça.
    Tudo indica que o manto escuro que nos envolve, impedirá até mesmo que haja a luz das estrelas.
    Da quietude da varanda, ouve-se o canto das ondas lá do mar, o ambiente é de paz em nossa volta. Há um pouco de tristeza sem motivo a nos invadir o pensamento.  
   Mas, os instantes que se seguem, são prenúncio de uma alegria incomum: somos, então, atraídos para o horizonte na direção do nascente.
     A iluminação indireta que se projeta do fundo das águas, embeleza com requinte o proscênio do palco, onde a natureza, em pouco irá representar.
    Não há no espaço nuvens privilegiadas a serem banhadas de prata em primeiro lugar. Só o azul do céu serve de prisma e é capaz de traduzir o esplendor que não tarda.
    Silêncio. O momento é místico e a cena sagrada.  O mar, o vento, tudo se curva com
reverência ante o grande altar. Por trás do imenso cálice que se transborda cá na areia, eleva-se a grande hóstia para a comunhão das criaturas. Nossa alma, nesse momento de contrição, se faz em prece.
    Não custa nada orar pelos homens que podem  promover a paz. Vale a pela convencê-los a amar uns aos outros. Provando que o amor é a única força capaz de garantir a felicidade do mundo, a lua cheia que segue a sua jornada por entre os astros do firmamento, vai derramando, fraternalmente, sua luz bendita sobre justos e injustos,sobre crentes e ateus, sobre árabes e judeus, na esperança, talvez, de que um dia a paz seja, também, de todos — Universal.

      

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

FESTA DE SANTO AMARO

Igreja de Santo Amaro
                                        
             Crônica de Waldir Carvalho, inserida no livro, "SE NÃO ME TRAI A MEMÓRIA".

FESTA DE SANTO AMARO

   "Grande parte da população brasileira costuma cultuar os seus santos padroeiros a quem devota, no seu dia, grandes homenagens. Nós, da baixada comemoramos a cada dia 15 de janeiro dia de Santo Amaro, ocasião em que se reúnem, vindo das mais diferentes regiões, filhos do local para rever parentes, devotos para pagar promessa e turistas pelo fascínio  que a festa proporciona.
    Guardo dela, grandes recordações.
   Pelos elementos típicos que apresenta, a festa de Santo Amaro é sem duvida a mais bonita da Baixada, com o adro da igreja sempre repleto de pessoas que fazem do momento um motivo para rever amigos e parentes.
  No passado havia um “quê” de especial. Na véspera o trem chegava com  vagões extras transportando além de grande número de fiéis, o Festeiro e uma banda vinda de Campos que podia ser a Apolo ou a Guarani. Nesse instante, ouvia- se o badalar dos sinos da igreja e os foguetes começaram a subir, espocando no ar, dando inicio à festa. Executando o conhecido “Emblema Nacional”,  ir a corporação seguida da multidão. Era nesse momento, já tomado de alegria, que se dava o levantamento do mastro.
   Previamente trabalhado pintado de novo em duas cores, o madeiro de longa metragem ostentava o quadro em que parecia imagem do santo. A Luiz  e  José Alexandre cabia na escavação local e ao Dídimo cuidar das cordas que faziam erguer o mastro, bem como desatá-las, ao fim da cerimônia...
   A banda executava o Hino Nacional e, pouco a pouco, os homens conseguiam com o auxilio das cordas  erguer o Mastro com a imagem do padroeiro. O embalo do vento dava impressão de estar  saudando os devotos.
   A criançada  corria para apanhar a flecha dos foguetões que acabavam de estourar. No coreto, no intervalo das músicas tinha inicio ao leilão de prendas. Mais tarde, o sino anunciava o inicio da ladainha que era cantada por  senhoras do lugar.
   Na grande praça tomada por grupos de barraquinhas, rapazes procuravam no oferecimento de uma “sorte” o  pretexto para iniciar um namoro...
   Chega o dia da  Grande  Festa. Às cinco da manhã, a população é despertada pelo estouro dos fogos e pelo repique dos sinos. Ouve-se ainda na cama! - o dobrado que vem de longe, aumentando sempre. Com o encantamento do toque da Alvorada as pessoas se levantam para participar dos festejos. As casas da localidade tornavam-se hospedaria até para estranhos e todos ficavam em contínuo em movimento que só terminava no fim da festa.
   Transportados  em carros encourados, começa a chegar gente de sapatos e roupas novas. Alguns vêm a cavalo. A maioria mesmo vem a pé. Maria Gorda a doceira de Mussurepe, é das primeiras a chegar, com o seu enorme baú de bombocado na cabeça. Ouve-se ao longe o  gemer do realejo de Machambomba, que seduzia a garotada para uma voltinha ou uma tirada de argolinha...
   Colorido especial ganhava a praça com suas incontáveis bandeirinhas  multicoloridas hasteadas em bambus folhudos e com as roupas novas, muitas delas de cores berrantes e  tecidos brilhosos que os visitantes orgulhavam em exibir... E são tantos os  visitantes que se a gente do lugar – as meninas de Olhos D'água, as manas-chicas de Caboio, os rapazes de Mata-Cachorro, e os velhos de Boa Vista - todos querendo ver ou participar das brincadeiras da festa como as corridas de sacos, o pau de sebo, as danças de jardineiras, o leilão de reses, tudo contribuía para a grandeza da festa de Santo Amaro.
   Atos de fé e beleza profana se misturam na minha memória ao lembrar o evento da terra goitacá cujo clímax ficava por conta da tradicional Cavalhada, um capítulo à parte...
  Foi assim. O tempo passou. O trem foi substituído pelos ônibus, pelos caminhões, pelos automóveis. Em lugar de candeias de querosene de antigamente, a iluminação agora é de lâmpadas de mercúrio. A poeira do chão já não existe: está sob o asfalto e o calçamento. Se  muita coisa mudou, muita coisa também permaneceu. Os devotos continuam fervorosos , os filhos do lugar comparecem na medida do possível. A Cavalhada continua a encantar como antigamente, só que agora já tendo como participantes corredores filhos, corredores netos...

 A Festa de Santo Amaro - o Padroeiro da Baixada Campista - outrora “Terra dos Heréos” continua. É uma tradição!"

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

RUA VINTE E UM DE ABRIL


Rua Vinte e Um de Abril
(Ainda estreita, antes do alargamento - Anos 50)



Do livro: "CAMPOS DEPOIS DO CENTENÁRIO" - Vol. 1
(Waldir Carvalho)



   A Rua 21 de Abril, conquanto seja ainda uma via pública estreita em 1949, possuía trechos mais estreitos do que apresenta nos últimos tempos. Surgiu um problema curioso. O usineiro Sr. Bartolomeu Lizandro, se dispôs a fazer uma doação de uma área para possibilitar o alargamento da citada Rua Vinte e Um de Abril. Conforme comentário publicado pelo Monitor Campista de 16 de fevereiro, a Câmara Municipal, hesitava em aceitar a referida doação. E a dúvida durou tanto tempo que mereceu da imprensa as maiores críticas.

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sábado, 11 de janeiro de 2014

TELEFONE: CAMPOS - SÃO JOÃO DA BARRA (1941)

(Telefone dos anos 40)

Do livro: "CAMPOS DEPOIS DO CENTENÁRIO" - Vol. 1
(Waldir Carvalho)


TELEFONE: CAMPOS - SÃO JOÃO DA BARRA

   A data de 06 de fevereiro de 1941, é um marco de progresso no campo das comunicações no Norte Fluminense. Nesse dia era inaugurada uma linha telefônica entre as cidades de Campos e São João da Barra.

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

OS CAMPOS DA BOA VISTA: LENDA, FOLCLORE E HISTÓRIA

                         
Sobrado da Fazenda BoaVista
(Foto: acervo familiar do Dr. Serafim Saldanha Braga, bisneto do Coronel Olavo Alves Saldanha)

OS  CAMPOS DA BOA VISTA: LENDA , FOLCLORE E HISTÓRIA
Do: "Farol... e Inspiração" (1966)
(Waldir Carvalho)


LENDA

   Sobre um riacho que corta os campos da Boa Vista havia uma rústica ponte de madeira. Esta possuía os seus parapeitos em forma de cangalha.
Diz a lenda, que ao passar por ela, um casal de cavaleiros levando uma Bandeira do DIVINO, o marido recomendou que não rufasse o tambor.
   A mulher, muito teimosa, não obedeceu e no meio da referida ponte rufou a caixa.
  Resultado: o animal que a conduzia assustou-se. A cangalha que servia de arreio à teimosa amazonas se fez em pedaços...


*      *     *

FOLCLORE

As moças da Boa Vista
No namoro levam fé;
Não caem em qualquer laço
Qual andorinhas do Xexé...

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HISTÓRIA

   A Fazenda Boa Vista pertenceu ao Barão da Lagoa Dourada,ao Dr. Gregório P. de Miranda Pinto, ao General Pinheiro Machado e a Família Saldanha.
   Por algum tempo e, em certos dias da semana, o trem da Leopoldina fazia seu terminal junto ao Sobrado da Boa Vista.


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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

EM TEMPO DE FÉRIAS II

Foto:Walnize Carvalho

RÁDIO-VELHO
Do jornalzinho: "O CARANGUEJO" (fevereiro /1987)
Waldir Carvalho

         "O nome deste bairro na praia de São Tomé deve-se à existência no local (em anos idos) de uma       ESTAÇÃO DE RÁDIO para orientação da navegação marítima.
           Consta que a "Rádio - Velho" foi a pioneira em toda a América do Sul."


                                                                   * * * 

                  "Para crer: Dia de São Tomé: 21 de dezembro."

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

CAMPANHA CONTRA O VÍCIO - 1949


(Foto: hummcerveja.blogspot)


Do livro: "CAMPOS DEPOIS DO CENTENÁRIO" - Vol. 1
(Waldir Carvalho)

CAMPANHA CONTRA O VÍCIO


   No dia 9 de fevereiro de 1949, o Delegado de Polícia de Campos, Dr. Wilson Peçanha, dava início a uma campanha de repressão ao vício da embriaguês. Naqueles dias, a cidade viva tomada de beberrões que perturbavam a ordem pública de maneira insuportável. A medida foi recebida com simpatia pelas famílias da comunidade. Lamentavelmente, o hábito desastrado da ingestão da bebida alcoólica continuou e cresceu. Nesta fase em que estamos redigindo este tópico, o vício da embriaguês por álcool, está em plano secundário. Agora são as drogas mais terríveis...

Nota do blogueiro: o livro acima citado foi publicado em 1991.


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domingo, 5 de janeiro de 2014

PRIMEIRO DESASTRE DE AVIÃO EM CAMPOS DOS GOYTACAZES (RJ) - 1936


(Imagem Ilustrativa)

Do livro: "CAMPOS DEPOIS DO CENTENÁRIO" - Vol. 1
(Waldir Carvalho)

PRIMEIRO DESASTRE DE AVIÃO


   O primeiro desastre de avião em Campos, teve lugar no dia 20 de janeiro de 1936. O fato foi com um aparelho do Exército Brasileiro. Quem pilotava o avião foi o Tenente-Aviador Vila Fortes. Procedente do Rio de Janeiro e após fazer evoluções sobre a cidade, no momento da aterrissagem, o aparelho espatifou-se. Ainda bem que o piloto, única pessoa do avião, nada sofreu. Ao sair ileso, Vila Fortes comunicou o acontecido ao Prefeito Sílvio Bastos Tavares que o hospedou até o dia seguinte. O fato não deixou de assustar a população.

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO À INFÂNCIA DE CAMPOS - APIC

APIC
(1940 - Ainda em fase de construção)


Do livro: "CAMPOS DEPOIS DO CENTENÁRIO" - Vol. 1
(Waldir Carvalho)

ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO À INFÂNCIA DE CAMPOS - APIC


  Esta associação destinada a amparar a criança carente, e mais, oferecer toda a assistência materno-infantil, concebida por pessoas dotadas de bons sentimentos, foi inaugurada no dia 29 de agosto de 1940.
  Seu idealizador e fundador foi o Monsenhor Severino, um sacerdote que neste país, e em especial em Campos, soube viver na prática os princípios cristãos.
  Sua primeira diretoria foi desta forma composta: Presidente - Monsenhor José Severino; Vice-Presidente - Joaquina Mendes Bello de Campos; Secretária - Maria Geny Teixeira Leite; Tesoureiro - Olavo Cardoso; Membros do Conselho Técnico: Dr. Jorge Alvarenga, Dr. Ruben Cretton, Dr. Brasil Alt, Dr. Herculano Aquino, Dr. Ovídio Manhães, Dr. Oswaldo Luiz Cardoso de Mello (médicos); Dr. João Batista de Faria (dentista); Dr. José Côrtes Júnior (juiz criminal).
  Instalada na Rua Visconde do Itaboraí, 80, a Associação de Proteção à Infância de Campos, é uma entidade que sobrevive graças à ajuda da comunidade, e está sempre de braços abertos para quem realmente precisa de auxílio.



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FAROL DE SÃO TOMÉ EM POESIA




(Foto: João Pimentel)

 No livro SE NÃO ME TRAI A MEMÓRIA, Waldir Carvalho escreveu este soneto:


FAROL DE SÃO THOMÉ EM POESIA

Facho luminoso guiando gente do mar 
Raio de luz na senda da conquista
Certeza de quem vive a navegar
Segurança dos peões da Boa Vista

Mãos inábeis e a fatalidade
À serviço da lua e dos pirilampos
Sugaram-lhe o poder , a capacidade
Turvando o mar e os verdes campos

No mundo nem tudo está perdido
Até o contra-senso faz sentido
Conforme o ângulo do esteta

A missão está cumprida,meu farol
Lembrança do mais belo arrebol
É o testemunho e o louvor do poeta.

(Foto: João Pimentel)